11/01/2013

Capas Históricas II


Com o clássico de Domingo a aproximar-se a passos largos, apraz relembrar o Porto - Benfica da época 2003/2004, o último (se não me engano) disputado no velho Estádio das Antas, célebre casebre do guarda Abel e de outras personagens negras do nosso futebol.

O Benfica de Camacho, o da primeira passagem, vai à Imbicta para defrontar o Porto de... José Mourinho, após mais um início trémulo na Liga. Antes deste jogo, referente à quinta jornada, o Benfica tinha um humilde registo de 1 vitória e 2 empates (um jogo em atraso), o que o deixava a 5 pontos do Porto,  que contava já com 3 vitórias (uma delas frente ao Sporting por contundentes 4-1) e um empate na Reboleira. O contexto tornava, assim, o jogo de capital importância para o Glorioso.

Nesse jogo, Camacho não conta com Nuno Gomes e o "soneca" Geovanni, apostando por isso numa dupla menos móvel, composta por Tomo Sokota, que começava aqui a conhecer os cantos à sua futura casa, e o saudoso Miki Feher. No meio-campo, Petit e Tiago formam uma dupla de qualidade que solta os criativos Zahovic e principalmente Simão para lides mais ofensivas. À retaguarda, Ricardo Rocha é o lateral esquerdo que tem como missão vigiar o sempre irrequieto e combativo Derlei. Argel e Luisão formam a dupla de centrais, e Miguel oferece a sua dinâmica ao flanco direito. Moreira é o guarda-redes.

Não obstante a importância reconhecida da partida para o Benfica, a defesa comete dois erros graves, oferecendo de bandeja a vitória ao adversário. Aos 30', Miguel, à data um dos melhores laterais direitos da Europa, amortece de peito na grande área para que Derlei só tenha que escolher o lado. O cenário piora ainda mais aos 52' quando Argel faz um auto-golo, na sequência de um canto do esquerdino Ricardo Fernandes. Mourinho agradece.

O resultado final de 2-0 compromete seriamente as ambições do Benfica, mas muito havia ainda para dizer antes de dar o clássico por terminado. Após a partida, o Benfica queixa-se da arbitragem de Lucílio Baptista, secundado por Devesa Neto (o tal que tem um restaurante na capital do móvel). Dos 5 lances de que o Benfica se queixa, o mais gritante é o que resulta na expulsão, e consequente reação intempestiva, de Ricardo Rocha. Após falta inexistente do mesmo sobre Deco, Lucílio dirige-se ao lateral esquerdo adaptado do Benfica para lhe mostrar o segundo amarelo. Antes que o consiga fazer, Ricardo Rocha apercebe-se que vai ser mandado para os balneários do Abel e antecipa-se, atirando a sua camisola para o chão em sinal de protesto, vendo assim o vermelho direto. Uma reação forte que espelhava a frustração pela quantidade de decisões contestáveis por parte da equipa de arbitragem.

O Benfica de 2003/2004 havia de acabar a Liga num segundo lugar conquistado a ferros em Alvalade, com o célebre golo de Geovanni. Mais importante foi a conquista da Taça de Portugal, 9 anos após a última vitória (sobre o Sporting), ao vencer este mesmo Porto, prestes a tornar-se campeão europeu, num jogo de feliz memória.

Em relação ao clássico que se avizinha,  a capa que ilustra este texto chama a atenção para o que será o trabalho da equipa de arbitragem. Infelizmente, sabemos que este não foi caso único na extensa lista de roubos de igreja de que o Benfica vai sendo alvo, ano após ano, nos confrontos com o rival do norte. Para que a vitória não nos fuja no Domingo, teremos que ser melhores, muito melhores do que o Porto. E, tenho a certeza, seremos!

7 comentários:

Gonçalo disse...

Não estivesse Mourinho à frente do Porto e provavelmente teríamos sido campeões esse ano... Lembro-me perfeitamente dessa expulsão: foi injusta porque não houve contacto, mas uma entrada daquelas era mesmo a pedir cartão, quanto mais não fosse porque o Deco sabia simular como ninguém.

Nota ainda para o facto de tu seres a única pessoa que eu conheço que escreve com o novo acordo ortográfico.

Jonas disse...

Grande rúbrica! Continuem!

Manú disse...

Aí está de volta a rúbrica sensação do momento!

Também estou convicto que seremos melhores que o Porto este domingo. O jogo tem que nos começar a correr bem para não regressar o fantasma das últimas épocas (principalmente as duas últimas...), mas acho que temos a equipa forte mentalmente e que as coisas vão acontecer naturalmente.
Acho obrigatório jogar a dupla Lima-Cardozo. Lima, para além de jogar, fazer jogar e ser decisivo, tem uns nervos de aço e pode ser muito importante. Cardozo dispensa comentários, está em grande forma e o Porto tem sido seu freguês…

hertz disse...

Acho que o Porto ainda não era campeão europeu. Não foi nesse jogo no Jamor que os adeptos do Benfica mostraram umas faixas a desejar sorte para a final da Champions?
Ainda ontem estive a ver um episódio "vitórias e patrimónios" sobre a rivalidade Porto/Benfica. Há lá histórias que eu não sabia e que são inacreditáveis. Os nossos jogadores passaram por muita coisa quando jogaram com aqueles corruptos nas Antas.
Domingo os nossos jogadores terão de dar tudo por tudo para ganhar ao Porto que conta sempre com as suas manobras de bastidores.

Claudio Caniggia disse...

Hertz, tens razão, o Porto foi campeão europeu 10 dias depois da final da Taça, obrigado pela correcção!

DeVante disse...

Bem metida esta. Lembro-me claramente deste jogo e é por isso que o filho da puta do Deco será sempre para mim um jogador mediano.
Jogadores de classe mundial não simulam...
Interessante que Deco veio depois a arremessar uma bota contra um árbitro que não deu em nada pelos motivos que ouvimos nas escutas...

Gonçalo disse...

hertz,

essa faixa foi uma provocação dos DV, não foi uma faixa de apoio. Primeiro apareceu uma tarja a dizer "Apesar de tudo vão defender as nossas cores. Boa sorte para a final". O estádio começou a aplaudir e os DV por baixo da primeira mostraram outra tarja a dizer "Força Mónaco" a encarnado e branco.

Esse episódio do V&P é muito bom, especialmente a parte do Eriksson.