…a culpa do empate do Benfica
ontem parece-me 100% de Jorge Jesus. Aliás, 95% de Jorge Jesus e 5% de Carlos
Martins.
Não pretendo com este post deitar
a toalha ou chão, nem mesmo ofuscar a perfeição que tem sido esta época
desportiva. No entanto, pareceu-me que Jesus falhou no primeiro momento crucial
da época.
Jesus parece que se esqueceu da
rotatividade perfeita que fez até aqui. Rebentou, e bem, a equipa contra o
Fenerbahçe, tendo com isso conseguido a melhor exibição dos últimos 3 anos. Por
isso tinha a obrigação de ter percebido que o desgaste se faria sentir no jogo
de ontem com o Estoril, caso o forcing inicial não desse o merecido golo. Na
minha opinião, neste jogo era importante ter deixado Gaitán e Lima no banco,
pois eram os mais cansados e os que tinham as opções mais válidas no banco para
os substituir (Ola John e Rodrigo, ambos frescos pois não rebentaram nem na
Madeira nem contra os turcos). Com isso o rendimento da equipa não teria sido
afectado, daria para carregar e sempre haveria malta mais fresca para correr
atrás da bola nos momentos em que o Estoril fez uma boa circulação de bola. Com
esta opção que proponho também teríamos os dois jogadores citados no banco para
entrar apenas numa parte final em que eventualmente houvesse necessidade.
A saída de Melgarejo a meu ver
foi completamente disparatada. Ainda havia muito tempo para jogar e lutar pelo
resultado, e com a equipa a ceder fisicamente essa luta tinha que ter sido
feita com a equipa compensada tacticamente e não com os sectores completamente
desligados, a pedir correrias defensivas a um Matic exausto e a um Enzo que já
não estava em campo (ou a um Carlos Martins que não tem pernas para defender
contra-ataques e faz logo falta para amarelo). A juntar a este disparate, Melgarejo não
jogou os dois últimos jogos e estaria fresco para o pressing final.
Jesus tinha a obrigação de ter
percebido que o Estoril não era um adversário de fim da tabela que foi lá
colocar o autocarro e despejar bolas à espera dos nossos ataques consecutivos, tinha
que ter percebido que eles tinham qualidade para nos fazer correr porque nós
não estávamos com disponibilidade física para sufocar 90 minutos. Tinha que ter
mantido o esquema táctico e a frieza que o golo iria aparecer! Desperdiçámos a
oportunidade de resolver o título de campeão nacional e com isso poder ir ao
dragão rodar a equipa e aparecer frescos contra o Chelsea na final da Liga
Europa.
Mas repito que não deito de forma
alguma a toalha ao chão, continuo a acreditar porque o que tem sido feito até agora
tem sido muito muito bom. Só espero que Jesus não bloqueie nesta recta final e
que não esprema os mesmos 11 sem justificação aparente, pois nos anos
anteriores foi isso que fez com que não tivesse materializado a sua enorme
qualidade em mais títulos até agora. E espero também que não se encha dele
próprio, porque na realidade NADA está ganho, e o que nos trouxe até aqui foi a
humildade.
Como tenho escrito pouco
aproveito para deixar registado que embora perceba que é difícil ser contido quando
vemos as coisas tão perto do sucesso achei ridículo e prejudicial o folclore
que se montou depois do jogo na Madeira. Não me venham com tretas de que não
nos devemos calar, aquela conferência de imprensa passou claramente a mensagem “agora
que já está ganho deixa lá mostrar que isso foi conseguido com mérito”. Parece
que não aprendemos com os erros…
