O jogo de amanhã tem de servir
para poupar algumas unidades importantes no jogo do Benfica. Temos de fazer descansar Salvio e Lima,
pelo que observei nos últimos jogos começa a faltar-lhes o fulgor e a capacidade
de desequilibrar que apresentaram em Janeiro.
Os últimos 3 jogos deixaram-me
preocupado. Deixámo-nos empatar na Madeira com o jogo praticamente na mão,
ganhámos na Alemanha com sorte e por pouco não perdemos pontos em casa contra o
autocarro de Coimbra. Em minha opinião faltou meio campo e capacidade de “rasgar”
as defesas. Eu sei que não podemos jogar e ganhar sempre com qualidade, mas já
são 3 jogos seguidos em que faltou alguma coisa.
Foi exactamente nesta altura que
começámos a ir-nos abaixo na época passada, há que ter cuidado para que tudo o
que foi feito até agora não vá por água abaixo. Amanhã temos também de dar mais
minutos e mais confiança a Rodrigo (vai fazer falta o melhor Rodrigo na recta
final), no lugar de Lima de preferência.
Jorge Jesus assumiu que nunca vai
pôr em causa o campeonato para apostar na Liga Europa, mas não percebo porque
não foram convocados Luisinho e Urreta, tinham de ser titulares amanhã…
Tendo em conta que é conhecida a
lista de convocados, por mim amanhã era assim:
Artur; André Almeida, Luisão,
Garay, Melgarejo; Matic; Ola John, Carlos Martins, Gaitán; Rodrigo, Cardozo.
Artur; André Almeida, Melgarejo, Luisão e Garay; Matic e o Menino; Alan John, Gaitan e Urreta; Cardozo
Não sei qual será o resultado final, mas confesso que este era o onze que queria para hoje. Sem tirar nem pôr. Ao mesmo tempo que dá descanso a alguns jogadores que têm sido sujeitos a maiores cargas físicas, Jesus mostra que não mente quando diz que a prioridade este ano é o Campeonato. Adicionalmente, ganhamos altura com a entrada dos jovens "Andrés", bem como consistência no meio-campo com a colocação de Gaitán a nº 10 e do menino André Gomes mais próximo de Matic. O sérvio agradece. Ter 3 homens no corredor central do meio-campo era para mim fundamental no jogo de hoje, muito devido ao poderio físico de Reinartz, Bender e Rolfes (não tenho a certeza se serão os titulares, mas costumam ser). Gaitán poderá ainda beneficiar de alguma dificuldade de recuperação destes três jogadores para criar desequilíbrios entre-linhas. Finalmente, a entrada de André Almeida pode ser importante, caso adopte uma postura mais posicional do que a de Maxi Pereira. É que Schurrle e Kiessling são jogadores perigosíssimos e "caem" muitas vezes no seu flanco esquerdo. Maxi que me perdoe, mas hoje não dá para as aventuras do costume, é simplesmente melhor não ir lá à frente do que ir e não ter capacidade para voltar.
A ideia de Jesus para o jogo parece-me a mais acertada e merece o meu aplauso, veremos qual o resultado. Venham eles, e que o Benfica repita 94!
Para que não nos oiça criticar a decisão, contra os Regulamentos, de não excluir o Porto da Taça da Liga, a Federação aplicou castigos de "apenas" um jogo a Matic e Cardozo. a FPF consegue assim, no mesmo comunicado, cometer duas injustiças graves, sendo elas a não exclusão do Porto de uma competição na qual não cumpriu as regras do jogo e a suspensão de Matic por algo que não fez.
Se, por um lado, nunca acreditei que o Porto fosse excluído da Taça da Liga pois isso iria provavelmente provocar a curto-médio prazo a morte desta Competição, por outro também sabemos que o Porto não tem por hábito jogar segundo as regras no Campeonato e isso, que eu me recorde, ainda não resultou na sua desclassificação.
Em relação aos castigos, principalmente o de Matic, vemos confirmada a ideia de que a nossa Federação está atrasada, por exemplo, em relação à Confederação Africana de Futebol (CAF), que ainda na última CAN despenalizou um jogador (o burquinês Jonathan Pitroipa), após este ter sido expulso de forma injusta.
Enquanto tudo isto se desenrola à frente dos nossos olhos, o Benfica continua calado...
Na longínqua época de 2000/2001, ocorreu um dos mais caricatos episódios da História do Futebol Português. Bruno Paixão, um dos piores árbitros de que há memória decidiu, após um escaldante Académica-Imortal, aplicar o internacionalmente famoso número de sedução, o chamado "Naked Man", apresentando-se "em pelota" frente a elementos do sexo feminino. As presas (foram logo duas, o homem não é de meias medidas), duas agentes da PSP, nomeadamente a agente Fátima, pertencente à Divisão "Escola Segura" e a agente Paula (nome de especial significado para Carlos Secretário), da Divisão de Trânsito. Terminada a partida, Paixão deparou-se com as duas senhoras junto ao seu balneário e certamente terá pensado que seria a fruta do costume, desta vez para desempenhar o papel de "good cop, bad cop", um fetiche antigo do sr. Paixão. Puro engano. As duas agentes não acharam graça à brincadeira, e apresentaram uma queixa-crime contra o "juiz". Vendo o árbitro setubalense vítima do ultraje de uma acusação de atentado ao pudor pelas duas vítimas, o então Diretor Executivo da Liga, o nobilíssimo e impoluto José Guilherme Aguiar, na altura sob a égide da Major Valentim Loureiro (tudo bons rapazes). apressou-se a vir a terreiro defendê-lo, como aliás é hábito no F.C. Porto.
Mas esta história, pese embora rocambolesca e absolutamente caricata, não tem nada que ver com aquilo que pretendo dizer com este texto. A escolha desta capa, deve-se só e exclusivamente ao facto de associar a arbitragem portuguesa à ausência de pudor. O jogo de Domingo demonstrou-nos, mais uma vez, que o Rei vai nu! A falta de vergonha apoderou-se do futebol Português. O que antes eram nomeações de árbitros e esquemas de incentivos bem delineados com o objetivo de aliciar equipas de arbitragem, apenas desmascarados através de escutas aos telefones dos autores do crime, são agora feitas às claras, frente às objetivas das televisões. O Rei, o Sistema, vai nu. Os corruptores decretaram que qualquer jogo do Benfica merece ser arbitrado pelo "Melhor árbitro do Mundo", Pedro Proença. Não sei se Proença é o melhor do mundo na sua função, sei que é indubitavelmente um dos mais competentes. Em cada jogo, tem uma missão, e cumpre-a, custe o que custar, por mais descarada e vergonhosa que seja. Em Portugal como na Europa. Não quero com isto desculpar os 2 pontos perdidos ontem na Choupana de Rui Alves. O empate, inaceitável nesta altura da temporada, deve-se quase exclusivamente à nossa incompetência e aos erros de uma defesa, Artur incluído, que tremeu demais. O impacto da atuação de Proença tem no entanto um alcance mais abrangente. Matic provavelmente ficará de fora nos próximos dois jogos, enquanto o caso de Cardozo é mais grave, quem sabe quanto tempo ficará suspenso, é esperar para ver. Em menos de 5 minutos, O Melhor do Mundo tirou das próximas jornadas aquele que tem sido o nosso jogador em melhor forma, Matic (sem substituto à altura, culpa nossa), e o nosso melhor marcador, Cardozo. O Rei da arbitragem, Proença, vai nu. Veremos se na jornada 29, no jogo que poderá decidir a atribuição do título, não veremos os dois Reis, Proença e o Sistema, a festejarem, nus e despojados de pudor, o tão desejado título, numa imagem já antes vista.
«Adoro el fútbol bonito. Puedo decir que yo vivo por este tipo de fútbol. Pero estoy convencido de que, desde que llevo jugando, lo que les importa a los aficionados más que el juego, es el resultado». Pablito, 2004.
Esta frase é uma excelente exposição da postura de Pablito no futebol: a procura da beleza e o necessário equilíbrio entre o futebol bonito e o futebol que ganha jogos. Mas nesta afirmação há mais do que aquilo que se retira à primeira vista, e que complementada com o seu estilo de jogo e com a sua atitude dentro e fora de campo nos dá uma perspectiva do que o futebol significa para Pablito e do que Pablito significa para o futebol. Penso sinceramente que se há um jogador que encarna o espírito de encontrar o sublime no desporto-rei, esse jogador é, acima de todos os outros, Pablito.
Ronaldo é eficiência e números, quer a vitória e reconhecimento; Messi assemelha-se a um autista que faz o que faz porque o seu engenho assim o permite, e a sua motivação dá ideia de ser proporcional ao talento que os deuses lhe concederam; Ibrahimovic é um génio egocêntrico; Ronaldinho era circo, aparentando uma necessidade de sorrisos dos adeptos para se sentir aceite; Maradona fazia-o por divertimento pessoal, às vezes mesmo por desprezo pelo adversário e, contra os ingleses, por vingança patriótica. Todos estes jogadores tiveram e têm lances de perfeição futebolística, ainda que cada um com razões diferentes – a fome de vitória, o reconhecimento pessoal, o dinheiro, orgulhos nacionais feridos, a necessidade de se sentirem melhores, mais populares, mais queridos, ou apenas porque sim, porque podem.
A grande diferença, e este é um ponto fundamental, é que Pablito é dos poucos que parece jogar com total desprendimento e com um interesse que ultrapassa o indivíduo para se fixar em patamares mais etéreos. No seu caso, a genialidade está ao serviço do futebol como desporto capaz de produzir momentos sublimes. É por isso que Pablito é tão especial: procura genuinamente a beleza, transformando um jogo de futebol num espectáculo estético apenas porque o futebol, para ele, é razão de sobra para dispensar outras razões. O facto de ser bem pago enquanto o faz não é mais do que uma consequência natural desta sua busca, não constituindo a razão de fundo. A fama não lhe interessa, ele que nem é dado às modernices do futebol-reality show – não tem site, não tem Facebook, não tem Twitter. Pablito perseguiria a beleza futebolística jogando no Benfica ou na 3ª Divisão argentina, sendo conhecido ou sendo um zé-ninguém, ganhando milhões ou ganhando tostões.
Há, depois, o a questão do equilíbrio entre a motivação pessoal e os interesses do futebol como jogo colectivo: o jogador é obrigado a pensar para a equipa primeiro, e pensar para a equipa em termos de utilidade prática e não em termos de beleza. No futebol, a vitória acaba por ser o objectivo último, e isto é uma limitação para todos os génios. Pablito não é diferente, tendo a maior parte das vezes de abdicar do que pode fazer pelo que deve fazer. Ainda assim, há sempre a sensação de que se perdeu alguma coisa para a posterioridade quando Pablito pode fazer o agradável e opta pelo útil. Acredito que esta conciliação não deve ser fácil para um sobredotado, e por isso perdoo a Pablito quando tenta fazer o fantástico e a coisa corre mal – mas refira-se que isto, o sacrifício do colectivo pela acção individual, raramente tem lugar no seu jogo.
Não há, no entanto, impedimentos a que por vezes as duas realidades se cruzem: os seus impulsos geniais são o melhor para a equipa. E, quando isso acontece, todo um universo futebolístico se alinha e Pablito mostra-nos a beleza do futebol na sua forma mais pura.
Salvo as devidas distâncias, e são muitas, o atual momento do nosso rival da 2ª Circular tem vários paralelismos com o período mais negro da História do Glorioso, o final dos anos 90. Em particular, o volte-face que a suposta transferência do avançado romeno Marius Niculae para o Sporting sofreu durante o dia de hoje, trouxe-me à memória a célebre novela nórdica que estava no ar no início da temporada 99/00, a novela Rushfeldt.
Em Julho de 1999, o Presidente Vale e Azevedo procurava um avançado para colmatar as saídas de Martin Pringle, "o carteiro de Gotemburgo", e de Brian Deane, um "tosco" que deixou saudades na Luz, pela sua eficácia e pelo seu perfil de "bom gigante", sempre apreciado no 3º anel. Ambos haviam emigrado para Inglaterra a meio da temporada 1998/1999, deixando vago o lugar ao lado de Nuno Gomes no ataque encarnado. O escolhido para enfrentar a hercúlea tarefa de substituir os dois matadores foi Sigurd Rushfeldt, um ponta-de-lança internacional norueguês que brilhava como estrela maior do Rosenborg, equipa que na altura raramente falhava presença na Champions. Na seleção, Rushfeldt pertenceu à geração de ouro do futebol norueguês, tendo inclusive partilhado o duche com Tore Andre Flo e Ole Gunnar Solskjaer, dois nomes maiores do futebol daquele abastado país escandinavo. No verão de 1999, os golos marcados na Noruega e por essa Europa fora faziam de Sigurd Rushfeldt um nome da moda, sendo ferozmente disputado por Marselha e Real Sociedad. No entanto, numa jogada mestre, Vale e Azevedo antecipou-se à concorrência e mandatou o empresário José Veiga para viajar até à Noruega, conseguindo assim arrebatar o leilão do norueguês, contratando-o por 750 mil contos (3,75M euros... um Balboa, portanto). Estava encontrado o sucessor dos também nórdicos Manniche e Magnusson, avançados de impressionante estampa física que brilharam no Benfica da década de 80.
Ou talvez não fosse bem assim... Rushfeldt foi apresentado na Luz e vestiu mesmo o Manto Sagrado, ladeado pelo Presidente JVA e por José Capristano (na foto), tendo voado de imediato para a Áustria, onde os seus companheiros se encontravam em pleno estágio de pré-época. No entanto, nos dias que se seguiram, o Benfica não conseguiu apresentar as garantias bancárias necessárias à viabilização da transferência e Rushfeldt foi ordenado a regressar à casa de partida, tendo o negócio ido por água abaixo. Esta pelo menos era a versão do Rosenborg. Já Vale e Azevedo, refutou esta teoria, argumentando que o jogador tinha sido devolvido ao remetente por não ser capaz de lidar com a pressão inerente a vestir a camisola do Glorioso. Na verdade, JVA admitiu na imprensa que o avançado norueguês se havia "mijado nas calças" quando confrontado com tamanha massa adepta, não tendo portanto o caráter nem o calibre necessários para atuar perante o 3º anel. Para conforto dos adeptos encarnados, JVA garantiu que um avançado melhor, mais jovem e de maior nomeada, estava já garantido e que iria chegar nos próximos dias. E foi assim que o lendário matador madrileño Tote chegou à Luz.
Terminado o papel do Benfica nesta novela, faltava apenas decidir o destino do outro protagonista. Rushfeldt acabou por assinar pelo Racing de Santander, onde ficou durante época e meia, sempre com papéis secundários.
Fazendo um rescaldo do que tem sido o mercado de inverno do
Benfica até agora - e assumindo que as notícias que dão Nolito como certo no Granada são verdadeiras -, tivemos o regresso um central promissor (Roderick),
a saída de dois médios ofensivos/extremos (Bruno César e Nolito) e a entrada dum jogador
português que prometeu muito mas que tarda em afirmar-se (Rui Fonte).
Tendo em conta que a entrada de Roderick pouco ou nada
influenciará a equipa, e que a contratação de Rui Fonte visará certamente o
reforço da equipa B no curto prazo, penso que a questão importante é a saída de
Bruno César e Nolito. À primeira vista parece que ficamos mais fracos, saem os
dois melhores extremos do Benfica da época passada. No entanto, a verdade é que
este ano ambos perderam o comboio para Salvio, Nico e Ola John. Foram bastante
utilizados em jogos de menor risco nas Taças e cumpriram (o futebol da equipa
não perdeu qualidade com eles em campo), mas a verdade é que quase todos os
jogos serão a doer daqui para a frente, e rotatividade acabará por ser
forçosamente entre os outros os dois a parelha de argentinos e o holandês.
Sendo que há ainda Enzo como possibilidade para as alas e
que Urreta voltou a contar para Jorge Jesus, penso que estas duas saídas
acabarão por não ter consequências negativas até final da época.
Há ainda duas opções válidas da equipa B que podem agora ver
a porta da equipa principal aberta para fazerem alguns minutos. Miguel Rosa e
Ivan Cavaleiro têm tido uma prestação acima da média nas alas da equipa B e
penso que seria interessante dar-lhes oportunidades. Miguel Rosa tem feito por
merecer a oportunidade e, embora pense que o seu futebol não chega para o nível
que o Benfica apresenta hoje em dia, não destoaria se jogasse uns minutos e
poderia até mexer com o jogo contra adversários de menor qualidade (um pouco na
linha de Nolito). Já Ivan Cavaleiro é um jovem com muita qualidade e que
acredito que pode explodir nas mãos de Jorge Jesus, certamente faria uns “truques”
contra equipas de menor nomeada e isso poderia ajudar no seu crescimento e
afirmação.
Resumindo, penso que as movimentações de mercado até ao
momento não nos deixam mais fracos do que estávamos, e podem até abrir portas à
juventude. No entanto, continuo a achar que um médio centro com provas dadas seria
bem vindo e daria dimensão à equipa para poder apostar em 3/4 frentes.
P.S. – Penso que Diogo Rosado, nome que tem vindo a ser
falado na imprensa como possível reforço, não seria uma má opção para rodar na
equipa B e ver o que dá. O talento está lá todo, falta é alguém que o trabalhe
com qualidade. Seria sempre uma contratação sem risco, uma vez que está
desvalorizado. É formado em Portugal e isso também é um ponto a favor. Já em
relação a Vítor não tenho opinião, por enquanto.