06/02/2013

A busca de Pablito

«Adoro el fútbol bonito. Puedo decir que yo vivo por este tipo de fútbol. Pero estoy convencido de que, desde que llevo jugando, lo que les importa a los aficionados más que el juego, es el resultado». Pablito, 2004.

Esta frase é uma excelente exposição da postura de Pablito no futebol: a procura da beleza e o necessário equilíbrio entre o futebol bonito e o futebol que ganha jogos. Mas nesta afirmação há mais do que aquilo que se retira à primeira vista, e que complementada com o seu estilo de jogo e com a sua atitude dentro e fora de campo nos dá uma perspectiva do que o futebol significa para Pablito e do que Pablito significa para o futebol. Penso sinceramente que se há um jogador que encarna o espírito de encontrar o sublime no desporto-rei, esse jogador é, acima de todos os outros, Pablito.

Ronaldo é eficiência e números, quer a vitória e reconhecimento; Messi assemelha-se a um autista que faz o que faz porque o seu engenho assim o permite, e a sua motivação dá ideia de ser proporcional ao talento que os deuses lhe concederam; Ibrahimovic é um génio egocêntrico; Ronaldinho era circo, aparentando uma necessidade de sorrisos dos adeptos para se sentir aceite; Maradona fazia-o por divertimento pessoal, às vezes mesmo por desprezo pelo adversário e, contra os ingleses, por vingança patriótica. Todos estes jogadores tiveram e têm lances de perfeição futebolística, ainda que cada um com razões diferentes – a fome de vitória, o reconhecimento pessoal, o dinheiro, orgulhos nacionais feridos, a necessidade de se sentirem melhores, mais populares, mais queridos, ou apenas porque sim, porque podem.

A grande diferença, e este é um ponto fundamental, é que Pablito é dos poucos que parece jogar com total desprendimento e com um interesse que ultrapassa o indivíduo para se fixar em patamares mais etéreos. No seu caso, a genialidade está ao serviço do futebol como desporto capaz de produzir momentos sublimes. É por isso que Pablito é tão especial: procura genuinamente a beleza, transformando um jogo de futebol num espectáculo estético apenas porque o futebol, para ele, é razão de sobra para dispensar outras razões. O facto de ser bem pago enquanto o faz não é mais do que uma consequência natural desta sua busca, não constituindo a razão de fundo. A fama não lhe interessa, ele que nem é dado às modernices do futebol-reality show – não tem site, não tem Facebook, não tem Twitter. Pablito perseguiria a beleza futebolística jogando no Benfica ou na 3ª Divisão argentina, sendo conhecido ou sendo um zé-ninguém, ganhando milhões ou ganhando tostões.

Há, depois, o a questão do equilíbrio entre a motivação pessoal e os interesses do futebol como jogo colectivo: o jogador é obrigado a pensar para a equipa primeiro, e pensar para a equipa em termos de utilidade prática e não em termos de beleza. No futebol, a vitória acaba por ser o objectivo último, e isto é uma limitação para todos os génios. Pablito não é diferente, tendo a maior parte das vezes de abdicar do que pode fazer pelo que deve fazer. Ainda assim, há sempre a sensação de que se perdeu alguma coisa para a posterioridade quando Pablito pode fazer o agradável e opta pelo útil. Acredito que esta conciliação não deve ser fácil para um sobredotado, e por isso perdoo a Pablito quando tenta fazer o fantástico e a coisa corre mal – mas refira-se que isto, o sacrifício do colectivo pela acção individual, raramente tem lugar no seu jogo.

Não há, no entanto, impedimentos a que por vezes as duas realidades se cruzem: os seus impulsos geniais são o melhor para a equipa. E, quando isso acontece, todo um universo futebolístico se alinha e Pablito mostra-nos a beleza do futebol na sua forma mais pura.

01/02/2013

Capas Históricas V



Salvo as devidas distâncias, e são muitas, o atual momento do nosso rival da 2ª Circular tem vários paralelismos com o período mais negro da História do Glorioso, o final dos anos 90. Em particular, o volte-face que a suposta transferência do avançado romeno Marius Niculae para o Sporting sofreu durante o dia de hoje, trouxe-me à memória a célebre novela nórdica que estava no ar no início da temporada 99/00, a novela Rushfeldt.

Em Julho de 1999, o Presidente Vale e Azevedo procurava um avançado para colmatar as saídas de Martin Pringle, "o carteiro de Gotemburgo", e de Brian Deane, um "tosco" que deixou saudades na Luz, pela sua eficácia e pelo seu perfil de "bom gigante", sempre apreciado no 3º anel. Ambos haviam emigrado para Inglaterra a meio da temporada 1998/1999, deixando vago o lugar ao lado de Nuno Gomes no ataque encarnado. O escolhido para enfrentar a hercúlea tarefa de substituir os dois matadores foi Sigurd Rushfeldt, um ponta-de-lança internacional norueguês que brilhava como estrela maior do Rosenborg, equipa que na altura raramente falhava presença na Champions. Na seleção, Rushfeldt pertenceu à geração de ouro do futebol norueguês, tendo inclusive partilhado o duche com Tore Andre Flo e Ole Gunnar Solskjaer, dois nomes maiores do futebol daquele abastado país escandinavo. No verão de 1999, os golos marcados na Noruega e por essa Europa fora faziam de Sigurd Rushfeldt um nome da moda, sendo ferozmente disputado por Marselha e Real Sociedad. No entanto, numa jogada mestre, Vale e Azevedo antecipou-se à concorrência e mandatou o empresário José Veiga para viajar até à Noruega, conseguindo assim arrebatar o leilão do norueguês, contratando-o por 750 mil contos (3,75M euros... um Balboa, portanto). Estava encontrado o sucessor dos também nórdicos Manniche e Magnusson, avançados de impressionante estampa física que brilharam no Benfica da década de 80.

Ou talvez não fosse bem assim... Rushfeldt foi apresentado na Luz e vestiu mesmo o Manto Sagrado, ladeado pelo Presidente JVA e por José Capristano (na foto), tendo voado de imediato para a Áustria, onde os seus companheiros se encontravam em pleno estágio de pré-época. No entanto, nos dias que se seguiram, o Benfica não conseguiu apresentar as garantias bancárias necessárias à viabilização da transferência e Rushfeldt foi ordenado a regressar à casa de partida, tendo o negócio ido por água abaixo. Esta pelo menos era a versão do Rosenborg. Já Vale e Azevedo, refutou esta teoria, argumentando que o jogador tinha sido devolvido ao remetente por não ser capaz de lidar com a pressão inerente a vestir a camisola do Glorioso. Na verdade, JVA admitiu na imprensa que o avançado norueguês se havia "mijado nas calças" quando confrontado com tamanha massa adepta, não tendo portanto o caráter nem o calibre necessários para atuar perante o 3º anel. Para conforto dos adeptos encarnados, JVA garantiu que um avançado melhor, mais jovem e de maior nomeada, estava já garantido e que iria chegar nos próximos dias. E foi assim que o lendário matador madrileño Tote chegou à Luz.

Terminado o papel do Benfica nesta novela, faltava apenas decidir o destino do outro protagonista. Rushfeldt acabou por assinar pelo Racing de Santander, onde ficou durante época e meia, sempre com papéis secundários.

29/01/2013

Mercado

Fazendo um rescaldo do que tem sido o mercado de inverno do Benfica até agora - e assumindo que as notícias que dão Nolito como certo no Granada são verdadeiras -, tivemos o regresso um central promissor (Roderick), a saída de dois médios ofensivos/extremos (Bruno César e Nolito) e a entrada dum jogador português que prometeu muito mas que tarda em afirmar-se (Rui Fonte).
Tendo em conta que a entrada de Roderick pouco ou nada influenciará a equipa, e que a contratação de Rui Fonte visará certamente o reforço da equipa B no curto prazo, penso que a questão importante é a saída de Bruno César e Nolito. À primeira vista parece que ficamos mais fracos, saem os dois melhores extremos do Benfica da época passada. No entanto, a verdade é que este ano ambos perderam o comboio para Salvio, Nico e Ola John. Foram bastante utilizados em jogos de menor risco nas Taças e cumpriram (o futebol da equipa não perdeu qualidade com eles em campo), mas a verdade é que quase todos os jogos serão a doer daqui para a frente, e rotatividade acabará por ser forçosamente entre os outros os dois a parelha de argentinos e o holandês.
Sendo que há ainda Enzo como possibilidade para as alas e que Urreta voltou a contar para Jorge Jesus, penso que estas duas saídas acabarão por não ter consequências negativas até final da época.
Há ainda duas opções válidas da equipa B que podem agora ver a porta da equipa principal aberta para fazerem alguns minutos. Miguel Rosa e Ivan Cavaleiro têm tido uma prestação acima da média nas alas da equipa B e penso que seria interessante dar-lhes oportunidades. Miguel Rosa tem feito por merecer a oportunidade e, embora pense que o seu futebol não chega para o nível que o Benfica apresenta hoje em dia, não destoaria se jogasse uns minutos e poderia até mexer com o jogo contra adversários de menor qualidade (um pouco na linha de Nolito). Já Ivan Cavaleiro é um jovem com muita qualidade e que acredito que pode explodir nas mãos de Jorge Jesus, certamente faria uns “truques” contra equipas de menor nomeada e isso poderia ajudar no seu crescimento e afirmação.
Resumindo, penso que as movimentações de mercado até ao momento não nos deixam mais fracos do que estávamos, e podem até abrir portas à juventude. No entanto, continuo a achar que um médio centro com provas dadas seria bem vindo e daria dimensão à equipa para poder apostar em 3/4 frentes.
 
P.S. – Penso que Diogo Rosado, nome que tem vindo a ser falado na imprensa como possível reforço, não seria uma má opção para rodar na equipa B e ver o que dá. O talento está lá todo, falta é alguém que o trabalhe com qualidade. Seria sempre uma contratação sem risco, uma vez que está desvalorizado. É formado em Portugal e isso também é um ponto a favor. Já em relação a Vítor não tenho opinião, por enquanto.

25/01/2013

O Rei faz anos



Tal como a lenda do futebol inglês e do West Ham, Bobby Moore, e a sua mulher Tina fizeram em 66, brindemos a um dos maiores nomes da História do "Beautiful Game" e símbolo máximo do nosso Benfica, parabéns Rei Eusébio!

Capas Históricas IV


Hoje como ontem. Desde a 9ª jornada da saudosa época 2009/2010 que a anual recepção do Sporting de Braga ao Benfica deixou de ser um mero encontro mais ou menos pacífico, para se tornar num autêntico jogo de vida ou de morte para os anfitriões. 

De lá para cá, de cada vez que se desloca à Cidade dos Arcebispos, o Benfica é recebido à base de "padradas", bolas de golf e duches de água fria. Mais do que isso, cada visita ao Axa, representa um teste à fibra e ao caráter dos jogadores do Benfica, por toda a envolvente criada e pela dificuldade que temos tido em vencer neste Estádio.

O jogo do próximo sábado será disputado num contexto em relação ao qual é possível traçar um paralelismo com a partida de 31 de Outubro de 2009. Também na altura, o Benfica chegava a Braga com um percurso imaculado para o Campeonato, contando com 7 vitórias e um empate. De resto, um registo em tudo igual ao do clube visitado. Em tudo, menos na "nota artística",  uma vez que o Benfica contava já com 30 (!) golos marcados na competição, contra os 13 do Braga, equipa que se apoiava maioritariamente no seu sólido setor defensivo. Assim, e tal como hoje, a deslocação a Braga tinha contornos de vital importância para os comandados de Jesus na luta pelo Ceptro. Importância acrescida pelo facto do Braga ter também a oportunidade de se isolar na liderança do Campeonato, algo que não se repete na presente temporada.

O confronto de 2009/2010 foi talvez o mais marcante no passado recente entre estas duas equipas. Nunca mais as relações entre os clubes, e principalmente entre os adeptos dos mesmos, foram as mesmas. Apesar da vitória por 2-0 da equipa da casa, o que fica na memória foi o que aconteceu fora e dentro do túnel do Axa, à saída para os balneários quando o árbitro Jorge Sousa apitou para intervalo. Num "sururu" provocado por uma bola passada por Angelito Di Magia em direção ao banco de suplentes adversário, o trio brasileiro composto por Vandinho, Mossoró e Ney Santos aproveitou para molhar a sopa. Se o na altura capitão bracarense Vandinho tentou agredir o adjunto Benfiquista Raúl José à patada, já os seus capangas Mossoró e Ney Santos chegaram mesmo a vias de facto com Cardozo, agredindo o goleador do Benfica pelas costas. Surpreendente, não foram os vilões mas a vítima a receber ordem de expulsão, uma vez que o Takuara já não foi autorizado pelo árbitro da partida a regressar ao relvado. O mesmo castigo teve Andre Leone, alegadamente por se ter envolvido em confrontos com o Paraguaio. Finalmente, também o "Queniano" Ramires foi agredido por um qualquer guarda Abel de Braga, já no interior do túnel. 2045 é um número que o craque brasileiro nunca esquecerá.

Na partida do próximo sábado, o Benfica não poderá esperar ambiente diferente. Agressões, provocações (lembremo-nos de Javi Garcia), tentativas de condicionamento por parte da equipa de arbitragem (lembremos Javi, outra vez), manobras extra-futebol, são tudo números que já vimos nos últimos 3 anos pelo Minho, e que se poderão repetir. As declarações dos dirigentes bracarenses na semana passada assim o deixam antever. 

No entanto, e ao contrário do que aconteceu em 2009, temos a necessidade, a obrigação de ganhar. Temos de esfolar o borrego que tem sido não conseguir ganhar em Braga desde que Jesus está ao leme. Temos de mudar a atitude temerosa e sem determinação com que entramos em campo quando vamos ao Axa. Temos de sair de Braga com os 3 pontos e a consequente confiança redobrada de que seremos Campeões... tal como em 2009/2010. Temos de passar essa mensagem de força aos nossos adversários. Não ganhar em Braga poderá colocar-nos numa situação muito complicada no que resta desta corrida. Se na altura contávamos nas nossas fileiras com Di Maria, Ramires, Javi, Saviola, David Luiz e Coentrão, agora continuamos a ter Luisão, Maxi, Aimar e Cardozo, mas temos também Garay, Matic, Enzo Perez, Salvio, Ola John e Lima, entre outros, todos eles com um espírito competitivo e um brio profissional que tem sido inatacável. E, convenhamos, este não é o Braga que nos desafiou na luta pelo título. Temos tudo para ganhar!

22/01/2013

D10S Queira!

Aimar já não sai
NEGÓCIO COM AL AHLI ABORTOU
In Record
Já faltou mais para dia 1 de Fevereiro!

Começa agora

Foi uma exibição com apenas um sobressalto que nos fez terminar a 1ª volta no 1º lugar. Uma primeira parte fraca, com Gaitán no seu pior, displicente e a estragar muitas jogadas (excepto um dos últimos lances da 1ª parte). Entrada muito forte na 2ª parte que nos valeu o golo da tranquilidade e a partir daí foi controlar, com direito ainda a uma demonstração de classe de Lima. Muito boa exibição de Salvio e de Matic (mais do mesmo).
Em relação ao jogo em si penso que se podem tirar duas conclusões. A primeira é que Gaitán deveria regressar ao banco. Está a começar a ficar “agarrado” ao lugar e isso nota-se na falta de vontade e entrega com que joga. Ola John tem muito mais para dar à equipa quando começa a titular (ficando assim Gaitán “picado” no banco, para entrar e brilhar). A segunda conclusão que tirei é que Melgarejo já é um defesa esquerdo com qualidade aceitável. Até prova em contrário, não acredito que venha a ser um Fábio Coentrão, mas temos aqui uma opção de futuro que pode ser um bom jogador de plantel. Faz quilómetros e quilómetros a alta rotação e tem aprendido a defender com segurança q.b.
Somos campeões de inverno, com tudo o que isso (não) significa. Claro que é bom verificar que até agora houve bastante competência na forma como as coisas foram feitas, mas a verdadeira época vai começar agora.
 
Faltam 9 dias para fechar o mercado e se continuamos a vender jogadores e não vamos buscar ninguém começo a ficar preocupado. E não vejo Matic e Enzo a serem poupados quando o jogo já está resolvido. No jogo de ontem e no jogo em Coimbra não percebo como é que duas das três únicas opções credíveis para aquelas posições acabaram o jogo com 90 minutos. Não quero agourar, mas já vi este filme até em épocas que as opções eram mais abundantes.
 
No que diz respeito à venda de Bruno César, acaba por ser o negócio possível. É bom vender um suplente que pouco tem feito esta época por 5,5 milhões de euros (valores ainda por confirmar oficialmente), e era evidente que a saída da Champions não permite manter tantos jogadores a receber bem. Tenho pena pelo Bruno, pois está a fugir da ribalta muito novo e quando ainda tinha muito para dar ao futebol. Talvez o empréstimo fosse o mais indicado, porque tenho a certeza que quando vendêssemos Gaitán, Ola John e Aimar ele teria o seu espaço. E ele já demonstrou que quando é regularmente titular tem muito para dar à equipa. Que lhe corra tudo bem e que em Maio esteja cá a festejar.

 
Antecipando a próxima jornada, penso que vai definir o que realmente queremos e para onde vamos. Acho que uma vitória nos dá muita força na luta pelo título, um empate deixa esta eterna dúvida no ar, e uma derrota dá praticamente o título ao Porto. Este Braga de Peseiro não é o Braga de Domingos e de Leonardo Jardim, temos a vitória ao nosso alcance!