18/01/2013

Capas Históricas III



O mercado de Inverno tem destas coisas. Comboios de nomes são veiculados na imprensa como entradas/saídas certas para/de os grandes do futebol português. Quando se trata do Benfica, já o sabemos, é a silly season extrapolada a um extremo quase insuportável, com os nomes mencionados pelos jornais do costume a abrangerem desde grandes craques ou promessas de nível mundial totalmente inacessíveis (infelizmente) para os cofres do clube, a jogadores sem qualidade suficiente para jogar num qualquer clube de meio da tabela da Liga Zon-Sagres. Ora durante vários anos, não era raro que jogadores do calibre deste segundo grupo (chamemo-lhes simplesmente de coxos) acabassem mesmo por assinar pelo Glorioso, só para que poucos meses depois fossem devolvidos ao emissor, escorraçados pela porta dos fundos.

No Inverno de 2004/2005, o coxo contemplado com um bilhete de ida e volta de Maiorca para Lisboa foi o montenegrino (à data ainda jugoslavo) Andrija Delibasic. O jovem avançado oriundo dos bálcãs gozava ainda de alguma reputação dos seus tempos ao serviço do Partizan, pois ao serviço do Maiorca pouco mais foi que uma nulidade, o que motivou o seu empréstimo ao Glorioso. No Benfica de Trapattoni, Delibasic tem a concorrência de Nuno Gomes, Karadas (o filho norueguês de Trap), Sokota e Mantorras, os dois últimos passando grande parte do tempo a cargo do departamento clínico. Apesar do extraordinário poker no seu primeiro treino, conforme indica a capa que dá o mote a este texto, um treino onde certamente a Velha Raposa abdicou da utilização de guarda-redes, a passagem do montenegrino pela Luz cifrou-se nuns meros 3 jogos, sem direito a golos. Mas com direito a título de Campeão Nacional, o único da sua carreira.

No fim da sofrida temporada que culmina na conquista da Liga, a saída de mais este flop não é mais que uma inevitabilidade. Quis o destino que o Maiorca o emprestasse, de novo, na época seguinte a um clube português, com o (in)feliz contemplado a ser o Braga. Não satisfeito, após novo falhanço em Terras Lusitanas, completa a segunda metade da temporada 2006/2007 ao serviço do Beira-Mar, cumprindo um desígnio assumido por tantos erros de casting que passaram sem sucesso nas fileiras do Benfica, marcar um golo ao Glorioso...

Delibasic é só um pretexto, um exemplo de como o mercado de Inverno pode ser traiçoeiro. Numa época em que muito se tem falado do desequilíbrio do nosso plantel em algumas posições fulcrais, é importante olhar para o mercado como uma janela de oportunidade, mas manter presente o quão mau conselheiro ele pode ser. Antes não comprar do que comprar à pressa e sem critério, só para mais tarde vender ao desbarato.

12/01/2013

O jogador com mais classe do Mundo



A superioridade com que El Mago felicita Bruno Alves após sofrer uma (mais uma) entrada assassina resume o que é este enorme Jogador e Profissional. Aimar é especial.

11/01/2013

Boa solução

Algures nas redes sociais foi proposta uma ideia táctica para o jogo de Domingo que, apesar de não ter tido muitos apoiantes nem ter sido abordada pela comunicação social, acho que pode ser uma solução interessante para o clássico.
Dada a inferioridade de unidades no meio campo com que nos iremos presumivelmente deparar no jogo contra o Porto, não seria uma boa solução incluir André Gomes na equipa inicial ao lado de Matic, deslocando Enzo Pérez para a esquerda? Neste caso, o sacrificado seria o extremo esquerdo, o que pode não ser uma opção consensual pois quer Nico Gaitán, quer Ola John têm estado ambos em grande forma ultimamente.
No fundo, com esta alteração de jogadores não se estaria a mudar um desenho táctico que tanto sucesso tem tido até agora, continuaríamos com uma dupla atacante, e o meio campo ficaria mais resguardado com o apoio de Enzo. Adicionalmente, as subidas de Danilo estariam mais acauteladas com uma cultura e capacidade defensiva que nem Gaitán nem Ola John possuem.
Por outro lado, André Gomes já provou que tem estofo para jogar jogos exigentes e que tem qualidade para emprestar à equipa quando joga ao lado de Matic.
Obviamente que Jorge Jesus já pensou numa solução para esta questão do meio campo, ainda assim esta é uma opção que acho bastante razoável. Enzo Pérez já mostrou esta época ser uma opção bastante credível para o lado esquerdo do meio campo.

Capas Históricas II


Com o clássico de Domingo a aproximar-se a passos largos, apraz relembrar o Porto - Benfica da época 2003/2004, o último (se não me engano) disputado no velho Estádio das Antas, célebre casebre do guarda Abel e de outras personagens negras do nosso futebol.

O Benfica de Camacho, o da primeira passagem, vai à Imbicta para defrontar o Porto de... José Mourinho, após mais um início trémulo na Liga. Antes deste jogo, referente à quinta jornada, o Benfica tinha um humilde registo de 1 vitória e 2 empates (um jogo em atraso), o que o deixava a 5 pontos do Porto,  que contava já com 3 vitórias (uma delas frente ao Sporting por contundentes 4-1) e um empate na Reboleira. O contexto tornava, assim, o jogo de capital importância para o Glorioso.

Nesse jogo, Camacho não conta com Nuno Gomes e o "soneca" Geovanni, apostando por isso numa dupla menos móvel, composta por Tomo Sokota, que começava aqui a conhecer os cantos à sua futura casa, e o saudoso Miki Feher. No meio-campo, Petit e Tiago formam uma dupla de qualidade que solta os criativos Zahovic e principalmente Simão para lides mais ofensivas. À retaguarda, Ricardo Rocha é o lateral esquerdo que tem como missão vigiar o sempre irrequieto e combativo Derlei. Argel e Luisão formam a dupla de centrais, e Miguel oferece a sua dinâmica ao flanco direito. Moreira é o guarda-redes.

Não obstante a importância reconhecida da partida para o Benfica, a defesa comete dois erros graves, oferecendo de bandeja a vitória ao adversário. Aos 30', Miguel, à data um dos melhores laterais direitos da Europa, amortece de peito na grande área para que Derlei só tenha que escolher o lado. O cenário piora ainda mais aos 52' quando Argel faz um auto-golo, na sequência de um canto do esquerdino Ricardo Fernandes. Mourinho agradece.

O resultado final de 2-0 compromete seriamente as ambições do Benfica, mas muito havia ainda para dizer antes de dar o clássico por terminado. Após a partida, o Benfica queixa-se da arbitragem de Lucílio Baptista, secundado por Devesa Neto (o tal que tem um restaurante na capital do móvel). Dos 5 lances de que o Benfica se queixa, o mais gritante é o que resulta na expulsão, e consequente reação intempestiva, de Ricardo Rocha. Após falta inexistente do mesmo sobre Deco, Lucílio dirige-se ao lateral esquerdo adaptado do Benfica para lhe mostrar o segundo amarelo. Antes que o consiga fazer, Ricardo Rocha apercebe-se que vai ser mandado para os balneários do Abel e antecipa-se, atirando a sua camisola para o chão em sinal de protesto, vendo assim o vermelho direto. Uma reação forte que espelhava a frustração pela quantidade de decisões contestáveis por parte da equipa de arbitragem.

O Benfica de 2003/2004 havia de acabar a Liga num segundo lugar conquistado a ferros em Alvalade, com o célebre golo de Geovanni. Mais importante foi a conquista da Taça de Portugal, 9 anos após a última vitória (sobre o Sporting), ao vencer este mesmo Porto, prestes a tornar-se campeão europeu, num jogo de feliz memória.

Em relação ao clássico que se avizinha,  a capa que ilustra este texto chama a atenção para o que será o trabalho da equipa de arbitragem. Infelizmente, sabemos que este não foi caso único na extensa lista de roubos de igreja de que o Benfica vai sendo alvo, ano após ano, nos confrontos com o rival do norte. Para que a vitória não nos fuja no Domingo, teremos que ser melhores, muito melhores do que o Porto. E, tenho a certeza, seremos!

09/01/2013

Estará Jorge Jesus a preparar a titularidade de André Almeida no clássico?

Num onze completamente rodado hoje, Jorge Jesus optou por lançar Maxi como titular, deixando André Almeida no banco.
Terá o treinador preferido resguardar o jovem português ou ligar os motores do uruguaio que já não tinha jogado no Domingo passado, devido a castigo?
Considerando a segunda hipótese, na minha opinião seria de esperar que Maxi apenas "aquecesse" para o clássico e que fosse substituído para dosear o esforço. No entanto, isso acabou por não acontecer. Talvez porque o jogo foi mais exigente que o esperado e foi preciso lançar Salvio para dar cabo da Académica, em vez de lançar André Almeida para fazer descansar Maxi. Ou então foi mesmo porque Jorge Jesus quis guardar o jovem português, que tem estado a um bom nível, para o clássico.
Na minha opinião, Maxi é Maxi. Em "dia sim" mexe com o jogo e ajuda a sufocar os adversários com o seu pendor (quase exclusivamente) ofensivo. No entanto, o uruguaio esta época tem defendido pouco e mal. Quase nunca está em posição de anular o extremo esquerdo adversário e isso tem-nos causado alguns calafrios em jogos de maior exigência.
Já André Almeida é mais disciplinado tacticamente, sobe bem, mas mais pela certa, e tem mostrado uma boa capacidade de anular o adversário directo no um-para-um.
Tendo em conta que:
I - O único extremo de raiz que o Porto provavelmente lançará na equipa titular jogará pela esquerda (Varela),
II - É provável e preferível que o Benfica não deixe de jogar com dois avançados no Domingo, o que acabará por deixar apenas dois médios-centro (Matic e Enzo) a lutar contra um triângulo formado por Fernando, Moutinho e Lucho, muito provavelmente ajudados por Defour,
Será que Jorge Jesus apostará na contenção de André Almeida em detrimento do pendor ofensivo de Maxi para ajudar a contrariar o mais que provável confronto desigual (2 vs 3/4) no meio campo?
Se assim fosse, em teoria a equipa não ficaria tão sujeita a desiquilibrios como o que permitiu o golo de James no ano passado?
P.S. - Kardec hoje entrou muito bem. Os meus parabéns ao próprio por conseguir manter o profissionalismo e a vontade de ajudar quando é chamado (fez um belo golo e duas assistências de qualidade - pena Ola John ter falhado aquele golo oferecido de mão beijada pelo brasileiro), e também a Jorge Jesus, que continua a rodar a equipa, a dar minutos e motivação a todos os elementos do plantel e a obter os resultados pretendidos.

O meu onze para hoje

Paulo Lopes; Maxi, Luisão, Garay, Luisinho; André Gomes, Bruno César; Ola John, Aimar, Nolito; Lima.

Até vou mais longe:
Enzo por Aimar aos 55';
Carlos Martins por Ola John aos 65';
André Almeida por Maxi aos 70'.

Tudo isto para garantir a passagem às meias finais da nossa taça e dar rodagem a recém-recuperados e menos utilizados.

03/01/2013

Capas Históricas I


1ª jornada da época 2001/2002. O Benfica entra para a nova época cheio de sonhos, vindo de uma temporada para esquecer que havia redundado no malogrado 6º lugar, o pior da sua História. Encabeçando a nova onda de esperança aparece Mantorras, o "novo Pantera Negra", o homem que vem de Alverca para devolver o Benfica à sua Glória, inserido num vendaval de transferências que incluiu nomes sonantes como Zahovic, Drulovic, Julio Cesar, Pesaresi, Cabral, Argel ou Andersson, só para mencionar os reforços utilizados na primeira jornada, em Varzim.

Apesar de entrar a ganhar por 2-0, o Benfica cede um empate a 2 bolas, com Cabral a contibuir com um auto-golo aos 90+4'. Após mais uma (tradicional) entrada em falso no Campeonato, a polémica estala, promovida pelo excesso de violência de que o novo herói da Luz foi alvo por parte do vilão de serviço nessa tarde de 11 de Agosto, Alexandre. Ainda durante o jogo, Mantorras solta em desespero para o seu carcereiro "Bate, que é de borracha!", enquanto que após o apito final do árbitro Isidoro Rodrigues, é o timoneiro Toni quem pede proteção ao seu atleta. Mas é apenas 5 dias após o jogo que se verifica o episódio que ilustra a capa apresentada. Ainda no seguimento do cocktail de faltas e agressões com que Alexandre brindou Mantorras, Simões e Eusébio, os dois históricos Magriços, vêm a terreiro defender o craque do Benfica com a famosa frase "Deixem jogar o Mantorras". Os ícones benfiquistas acusam também o árbitro da partida de proteger o agressor, ao ter demorado 77 minutos a mostrar o amarelo ao central varzinista.

Sobre Mantorras, todos sabemos no que resultaram as constantes agressões e entradas de que foi alvo, tendo contribuído inequivocamente para o final precoce de uma carreira que prometia ser grandiosa. Alexandre, o verdadeiro mentor do também varzinista Bruno Alves, teve direito aos seus 15 minutos de fama, tendo sido depois vetado ao esquecimento que a sua pobre carreira mereceu. Quanto à época do Benfica em 2001/2002, acabou por ser mais uma longa e penosa caminhada rumo ao 4º lugar, no triste jejum que foram os 11 anos entre 1994 e 2005.

Ponto de situação positivo

Embora seja um acérrimo defensor de que Jorge Jesus é o treinador ideal para o Benfica neste momento e, até ver, num futuro a médio prazo, reconheço que o seu trajecto no comando do Benfica até hoje me faz hesitar quando o elogio a ele e à prestação da equipa.
Ainda assim, penso que há um ponto de situação positivo que deve ser feito neste momento. Achei um bom pronúncio a forma como Jorge Jesus rodou a equipa nestes dois últimos jogos.
Bem sei que o plantel se tem vindo a revelar propício a este tipo de rodagem (ontem supostamente jogaram os suplentes e tínhamos em campo Gaitán, Bruno César e Nolito - que se apresentaram os 3 a um nível elevado), bem como o calendário. No entanto, não sei até que ponto a coisa não deve ser vista de outra forma: não será a rodagem que está finalmente a ser (bem) feita que mostra as potencialidades do plantel? Fica no ar a pergunta... A qual só terá uma resposta definitiva no fim da época, e resposta parcelar no fim deste ciclo infernal de Janeiro.
 
Algo que me deixa um pouco reticente foi a fraca exibição diante do Moreirense, mas ontem fizémos questão de mostrar que talvez tenham sido as férias a empenar um pouco os motores. Ainda assim fizémos um resultado que nos deixa "apenas" a precisar de ganhar em casa à Académica para passar à próxima fase. Ou seja, cumprimos. E, por vezes, cumprir basta. Espero pelo jogo contra o Estoril para tirar ilacções mais concretas...
 
Veremos como continuam a correr as coisas neste complicado mês de Janeiro, mas estou confiante que Jorge Jesus tem aprendido com os erros e, no que depender dele, a gestão será bem feita. Depois é preciso sorte com as lesões e a bola entrar!
 
 
Há ainda a questão do mercado estar aberto. Penso que não deveria ser negociada nenhuma saída, pois só assim conseguiremos manter este nível elevado mesmo a rodar a equipa.
Em relação ao meio campo, continuo a defender que se deveria encontrar uma solução de carácter mais defensivo (regresso de Aírton, por exemplo, não seria demasiado dispendioso). No entanto, se para entrar algúem for preciso vender algum activo, prefiro que não haja mexidas.

 
Por fim,
I - O regresso anunciado de Pablo Aimar a 100% faz-me ficar ainda mais confiante! Se já conseguimos atingir um nível elevado sem ele, acredito numa 2ª parte de época ainda melhor!
II - Finalmente parece-me que Cardozo é consensual entre todos os Benfiquistas! Foi preciso fazer 10 golos em 4 jogos para o conseguir, mas finalmente está a ter o reconhecimento merecido por parte de todos sem excepção! Espero que mantenha a cadência!

19/12/2012

Pus-me a pensar....

... Curiosa Competição, a Taça da Liga.

Há um clube mesquinho, parolo e bairrista num qualquer buraco obscuro no Norte deste País que nos últimos 5 anos vem dizendo que despreza esta competição, à qual até dá, de forma irónica e jocosa, o nome de outro Clube, pelo facto do último tê-la conquistado por 4 vezes consecutivas, nas 5 possíveis.

Ora, o clube parolo e ladrão, entrou hoje em campo na tal competição que despreza e que não faz tenções de ganhar, com 9 habituais titulares, enquanto que o outro Clube, aquele que alegadamente dá uma importância desmedida a esta Taça menor, fez alinhar apenas 1 habitual titular (2 se contarmos com Jardel, titular pela circunstância da suspensão e lesão de Luisão no início desta época).

Fico eu a pensar... qual dos dois clubes está então mais desesperado por ganhar esta Taça da Liga?!

12/12/2012

Mais umas migalhas...

... da carreira de Pablito.

Os Protagonistas do Derby

Ao contrário da maior parte dos Benfiquistas (e não só), não estava especialmente confiante para ontem. Não pela valia do adversário, mas porque para estes jogos não conta o historial da época, para o Sporting era o jogo de uma vida e nós entravamos em campo algo pressionados pelos 3 pontos de vantagem do Porto. Além disso, o Benfica apresentava-se ontem a jogo, e como tem sido hábito esta época, desfalcado de alguns dos seus mais importantes jogadores. Aimar, Carlos Martins, Luisão e Enzo Perez, todos lesionados, abriram as portas do onze a Jardel (já com rodagem esta época) e André Gomes. 

Sobre o jogo, se uma forma geral, o Gonçalo já falou, e por isso gostava só de dizer que penso que o Benfica saiu ontem de Alvalade bastante mais forte do que entrou. Mais do que a boa exibição da segunda parte, foi uma vitória da Raça e do Querer, uma vitória do Carácter! O Carácter que faz os campeões. E é sobre cada um dos campeões que ontem conquistou esta importante vitória que quero agora falar:

Artur: Jogo com pouco trabalho, apareceu quando foi necessário, com uma excelente saída aos pés de Elias. Na primeira parte teve uma má saída num cruzamento, algo que vai acontecendo várias vezes esta época. Mas é enorme!

Maxi: Uma primeira parte ao nível do que tem feito esta época, péssima... Comido por todos os lados, temi seriamente que não acabasse o jogo sem ver o segundo amarelo. Na segunda trouxe a raça que o caracteriza e que me obriga a bater na boca quando digo mal dele. Está, ainda assim, em muito baixo de forma...

Melgarejo: Para mim, um dos melhores do Benfica ontem, apesar de ninguém o mencionar. Imbatível a defender (situações complicadas de 1x1 com o Carrillo), ainda conseguiu ainda que esporadicamente aparecer a apoiar o ataque.

Jardel: Péssimo, muito inseguro na primeira parte.

Garay: Não fosse a passividade no lance do golo do Sporting e teria estado imaculado (também podemos desculpá-lo, estamos a falar de um avançado pelo qual foram recusados 25M do CSKA... enfim...). O melhor jogador do Benfica esta época, até ao momento.

Matic: Bom. Dificuldades no 1º tempo, no segundo encheu o meio-campo. Rouba bolas e sai a jogar com uma classe ímpar.

André Gomes: Não fossem os 2 (3?) golos de Cardozo e teria sido o melhor em campo. Denota uma personalidade e uma calma incríveis para alguém da sua idade, às vezes até demais. Abusa dos passes longos, normalmente infrutíferos, mas foi o único a querer jogar à bola durante os 90 minutos. Nunca tem medo de assumir o jogo.

Salvio: Depois de uma primeira parte em que raramente ganhou um duelo, na segunda não deve ter perdido nenhum. Não fosse o guarda-redes suplente do Sporting Moulin Rouge (como diz Carlos Mozer) e tinha morto o borrego... faz-lhe falta um golo.

Ola John: Muitas dificuldades em dominar a bola com qualidade na 1ª parte, na segunda banalizou o armário inglês, até obrigá-lo a recorrer ao pontapé. Quando vai para cima do adversário é imparável e é dotado de uma inteligência muito acima da média. Um jogador que cada vez mais me enche as medidas.

Lima: Na primeira parte não fez nada daquilo que tem feito durante esta temporada e que tanta qualidade tem trazido ao futebol do Benfica. Diagonais, desmarcações, recuar para receber a bola...nada! Na segunda fê-lo e deixou que Cardozo assumisse o protagonismo.

Cardozo: Adoro avançados que sabem marcar golos feios. Cardozo fá-lo como ninguém e ainda acrescenta uns de grande classe, como o penalty de ontem. Por mim, pode jogar até aos 40, não precisa de correr para fazer o seu trabalho. E imaginar que há benfiquistas que prescindiriam facilmente e de livre vontade deste fenómeno do golo...

Gaitán: Entrou com o jogo a seu favor e fez gato-sapato dos Diers e Rinaudos desta vida, caceteiros de serviço que não aguentaram a pressão dos "Olés" da equipa visitante. Quando lhe saem bem as coisas, é um jogador muito forte.

Rojo: A grande contratação do Benfica neste defeso. Estrear-se num derby e marcar logo o golo da reviravolta "à ponta-de-lança" dissipa quaisquer dúvidas que existissem quanto à sua valia, o Benfica adquiriu um craque de classe mundial... AH, que estupidez, mas ele preferiu o grande Sporting...

Aimar: Nunca esta época como na primeira parte de ontem se notou tanto a falta de Aimar. A ligação entre o meio-campo e o ataque foi inexistente e não foram poucas as vezes que dei por mim a sonhar com o nosso número 10 a transportar a bola de cabeça levantada em direcção à área contrária, a pensar o jogo e a fazer jogar a equipa. Vai-nos fazer muita falta em jogos de dificuldade média-alta esta época caso não recupere a tempo...

Adeptos: Enorme apoio que foi prestado à equipa durante os 90 minutos, mesmo quando em desvantagem no marcador. O Benfica ontem fez-se ouvir, e de que maneira, em Alvalade.

P.S.: Não gostei das declarações de LFV. Pela segunda vez em pouco tempo, imiscui-se nos assuntos do Sporting e ainda por cima com pouca classe. Não o devemos fazer, deixe-mo-los morrerem sozinhos, ou então, se preferir, envie umas pás para Alvalade que eles tratam de se enterrarem uns aos outros.  
P.S. II: Uma das melhores arbitragens que já vi num clássico e num jogo em Portugal, gostei francamente.

11/12/2012

O que é feito d' El Mago?

O desaparecimento do melhor jogador que já vi jogar de águia ao peito quase que coincidiu com a criação deste blogue, em sua honra...

Não há justificações para o seu afastamento demasiado longo da equipa, não há previsões de regresso... 

Gostava sinceramente de perceber o que se passa, porque não foi esta a época de despedida que eu e o mundo do futebol idealizámos para o melhor nº10 que o futebol moderno e contemporâneo já viu...

Estou farto de avisar...

...mas ninguém me ouve: Tenham cuidado! Ele é perigoso!!

05/12/2012

O Crime Capital de Vale e Azevedo

A dispensa do "Menino de Ouro", o grande jogador que brilhou no meio da penumbra que foram os anos '90 do Benfica, foi o maior crime de Vale e Azevedo como Presidente. Por si só, seria motivo mais do que suficiente para meter este impostor a partilhar a cela com o Bibi para o resto da vida.

https://www.youtube.com/watch?v=2THn7o9bWP0&feature=g-all

João Vieira Pinto, por sua vez, cometeu o crime de depois de ter sido ídolo na Luz, sair para ser feliz do outro lado da 2ª Circular.

A sua saída causou um rombo tão grande, não só nos adeptos como em toda a estrutura Benfiquista (como é explicado pelo ex-Excesso Calado no vídeo acima), que a época seguinte foi a pior da nossa História, a época do malogrado 6º lugar.

22/11/2012

Elogios comedidos

Um pouco para contrabalançar as críticas (legítimas, obviamente) que têm sido feitas neste blogue, venho fazer um elogio divido em vários. Um elogio à forma como as coisas têm sido feitas até este momento, esta época.

Bem sei que ainda estamos em Novembro, e que os jogos decisivos ainda estão para vir. Mas há verdades absolutas que não deixarão de o ser se as coisas piorarem daqui para a frente, como acredito que não acontecerá. O que foi conseguido até agora já não pode ser apagado e na minha opinião é meritório e merece ser reconhecido.
Penso que está à vista de todos que as coisas estão a correr bem melhor do que aquilo que se previa no fecho do mercado (cenário que ainda piorou quando foi decidido o castigo do Luisão). Na minha opinião, isso deve-se ao facto de estarem a ser bem potenciados jogadores de quem não se esperava tanto.

Em relação a André Almeida penso que ainda é cedo para concluir se será jogador para vingar no Benfica (já duvidei mais admito), mas a verdade é que tem feito o que se lhe pede com competência e rigor. Não erra. E neste último jogo demonstrou estar mais confiante, o que o fez soltar-se e mostrar alguns pormenores interessantes. Até agora tem sido a opção credível que se dizia não haver para Maxi, ao mesmo tempo que também tem sido o trinco que faltava caso Matic estivesse indisponível. Já esteve presente em jogos de importância média-alta e cumpriu, e foi isso que me fez mudar positiva e moderadamente a minha opinião.

No que diz respeito a Melgarejo, penso que não havia dúvidas que poderia ser um bom extremo/avançado, ainda por cima nas mãos de Jorge Jesus. Como também penso que haviam bastantes dúvidas que pudesse ser o defesa esquerdo que precisávamos verdadeiramente. Até agora, tem demonstrado claras melhorias a nível defensivo, o que acaba por lhe dar confiança para subir no terreno com muita qualidade e repentismo. O jogo com o Celtic entusiasmou e mostrou que podemos estar aqui perante um caso sério. Mas calma, aqui sei que ainda é cedo para concluir o que quer que seja. Mas até agora pelo menos tem dado qualidade ao nosso lado esquerdo.

Luisinho para mim representa o que não tem havido nos plantéis do Benfica nos últimos anos. Jogadores com alguma qualidade, que "para aqui vão dando" e que lançados apenas um ou dois de cada vez não fazem baixar o nível da equipa. Tem muita garra e ataca bastante bem! Tem limitações defensivas que para mim não permitem lançá-los em jogos de maior importância. Mas fazem falta estes jogadores a um plantel, pois permitem não sobrecarregar os ditos titulares com demasiados minutos, para estes poderem responder a 100% nos jogos decisivos no fim da época.

A suspensão de Luisão acabou por ser bem colmatada por Jardel. Não sendo um central imperial (daqueles de bola no pé tipo Garay), nem um centralão daqueles que impõe o físico (tipo Luisão), tem um pouco dos dois. E na minha opinião ganhou a confiança que lhe faltava e acabou por ficar ligado a uma boa fase do Benfica, em que se sofreram poucos golos. Acho um jogador à imagem daquilo que escrevi sobre Luisinho. Útil ao plantel e competente, embora ache que possa dar para um ou outro jogo grande, sem abusar claro.

A maior evolução que presenciámos até agora foi sem dúvida alguma Matic. Estava tapado por Javi e, tendo participado em muitos jogos o ano passado, acabou por ter poucos minutos e pouca regularidade de jogo, o que abrandou a sua evolução. Hoje em dia, com minutos nas pernas e confiança, é na minha opinião um dos melhores e mais influentes jogadores do Benfica. Não sendo o mesmo tipo de jogador, falta-lhe ainda alguma dureza e capacidade defensiva, está a fazer esquecer Javi Garcia na perfeição!

Enzo Pérez foi outra muito boa revelação. Colmatou a saída de Witsel, que era a que mais me preocupava. Não tem para já a regularidade do belga, mas é um jogador fabuloso, com muita qualidade. Ainda lhe faltam alguma rotinas e mais pulmão para jogar naquela posição, falta-lhe chegar mais a frente a zonas de finalização, mas tem noções tácticas, tem passe, tem cobertura de bola, e acredito que quando estiver na plenitude da sua forma ainda nos dará umas alegrias.

Em relação ao “menino” André Gomes, ainda deu para ver pouco, mas o que vimos deu para perceber que em princípio podemos contar com ele, a espaços, ainda este ano. Em jogos em casa, de menor exigência (por exemplo na Taça da Liga), pode ser uma boa opção para rodar o meio campo.

Ola John chegou rotulado de craque, com muitas esperanças depositadas nas suas costas e nos 9 milhões de euros que parece ter custado aos cofres da Luz. Não entrou bem, demorou a adaptar-se, e a própria imprensa quis dar dimensão a coisas insignificantes e normais no futebol, decorrentes da adaptação de um jovem que acaba de chegar a uma equipa grande dum futebol mais exigente do que estava habituado. No entanto, Ola parece ter-se finalmente adaptado à realidade do Benfica e àquilo que lhe é exigido e tem deixado os adeptos com água na boa. Ainda será cedo para dizer que pode ter um papel de destaque esta época, mas já ajudou a equipa diversas vezes e tudo indica que a sua evolução continuará.

Por fim, no que diz respeito a jogadores, Lima. A primeira sensação que tive quando soube da sua vinda era que talvez fosse ficar um bocado tapado por Cardozo e Rodrigo, e que seria apenas o 3º avançado duma equipa que o ano passado tinha adotado bastantes vezes o 4-2-3-1. Achei que fosse jogar na Taça da Liga e tal, mas que o melhor da sua contratação tinha sido o enfraquecimento do Braga. No entanto, Lima tratou logo de me esclarecer ao que vinha na 1ª vez que tocou na bola com a camisola do Benfica, em Coimbra. Fez logo um golão...“à Lima”. E a esse golo seguiram-se vários, que acabaram por dar pontos ao Benfica e garantir-lhe a afirmação de águia ao peito e um papel de destaque no plantel.

Tudo isto que acima escrevi não faz com que deixe de querer pelo menos um jogador no mercado de Inverno. Não há dúvida que o plantel está mais fraco que o ano passado e acho urgente um médio que jogue a “6” e a “8”, que não se venha adaptar e que possa dar resposta imediata. Até agora temos cumprido mas para chegar perto do nível do ano passado falta essa peça no puzzle. E desta forma também se resguarda André Almeida e André Gomes de serem lançados em jogos “a doer” por não haver mais opções. Isso poderia prejudicar os “meninos”, e acho que eles ainda terão a ganhar com uma ou outra descida à equipa B (mais Gomes que Almeida).


E por falar em equipa B, chego ao fim dos elogios. Acho que é o projecto que está a ser mais bem conseguido entre todas as equipas B. Os resultados aparecem em campo, ao mesmo tempo que se lançam bastantes jovens e se dá ritmo a outros jogadores para estarem sempre a 100% para a equipa principal. A ligação parece-me estar a ser bem feita, Jorge Jesus e Luís Norton de Matos parecem estar em sintonia e neste aspecto tenho que dar os parabéns a toda a estrutura.

19/11/2012

O golo do Isaías

Em 1994 iniciei-me oficialmente para o mundo do Benfica. Ia ver, finalmente, um jogo ao Estádio da Luz. Pus o fato de gala: camisola marca “Imperia”, símbolo do Glorioso no coração, Casino Estoril a apertar a barriga. Jogo importantíssimo, 29ª jornada, uma semana antes do 6-3 que praticamente selou o título. O adversário era o Estrela da Amadora.

Não sei bem o que se passou desde que o meu pai me disse que íamos à bola até estar dentro do Estádio. Sei que, de repente, estava sentado na Catedral, ainda despida de cadeiras e sem o fosso cavado em 95 para proteger os Paredões, Kings e Marcelos do assédio dos comuns mortais que se sentavam nas bancadas.

Passei à minha primeira análise do Estádio da Luz. Do banco dos suplentes, com marcação à zona feita pelo bigode do Toni, até ao camarote, onde devia estar o Eusébio, a chorar ainda a meia-final contra a Inglaterra e a derrota de 1968. Na altura conhecia poucos jogadores, e para mim o mais distinto era o Veloso, que tinha um bigode que não era como o do Toni, era mais senhorial, e que eu reconheceria em qualquer parte do mundo, mas que reconhecia principalmente da caderneta Panini que recebera na semana anterior, onde o Capitão partilhava a capa com um jogador do Porto.

Ainda me lembro do que foi o palavrão. Nunca tinha ouvido nada assim, foi o meu primeiro contacto com o vernáculo do futebol. Caralhadas e filhas da putice, foda-ses e conas da mãe do outro. Lembro-me de olhar para o meu pai à espera de um grito para o gajo do lado por estar a ser mal-educado, ou de uma reprimenda na gorda que se sentava acima de nós, e que a cada lance mais emocionante, cuspia para cima de nós bocados de queijada mastigados e léxico vindo dos confins do dicionário. Um pouco de contenção era o que se pedia, havia crianças presentes. O meu pai não fez nada, continuava concentrado no jogo, e eu devo-me ter perguntado se os pais da gorda saberiam que ela falava assim, e se o gajo do lado, que já tinha idade para ser meu avô, embalava os netos à noite dizendo que os vilões das histórias eram uns grandes filhos da puta.

O jogo já começara e eu ainda não absorvera tudo o que se passava à minha volta. É provável que estivesse a tentar decifrar os ponteiros do relógio do marcador quando fui interrompido por um tremor de terra humano. Olhei à minha volta e vi os homens e mulheres, que ainda há pouco gritavam palavrões, aos gritos, aos abraços e aos saltos. Até o meu pai perdera a compostura. Só quando me pôs ao colo é que percebi que tinha perdido o primeiro golo da minha vida. O Isaías marcara, e eu, que tanto massacrara o meu pai para me levar a um jogo, deixara passar a oportunidade em claro. O golo fora assim, à socapa, sem dar oportunidade a um miúdo que nunca tinha visto nada daquilo e não sabia que o futebol é muito mais do que o que nos mostrava a televisão, onde há a complacência da repetição para os distraídos.

Tinha que estar mais atento. Concentrei-me, não podia perder o próximo. Chegou o empate do Estrela, esse vi eu, mas as ninguém reagiu como no golo do Benfica. As pessoas ficaram caladas, a olhar para os sapatos, algumas assobiaram, não percebi bem o quê – na altura Emerson ainda não jogava e Roberto era um pesadelo distante. O meu pai devia estar preocupado, já a fazer contas à vida - para a semana lá íamos ter de ganhar em Alvalade. Não marcámos mais vezes, para meu desapontamento. O Benfica empatou, e eu nunca mais vi esse golo do Isaías.