11/01/2013

Boa solução

Algures nas redes sociais foi proposta uma ideia táctica para o jogo de Domingo que, apesar de não ter tido muitos apoiantes nem ter sido abordada pela comunicação social, acho que pode ser uma solução interessante para o clássico.
Dada a inferioridade de unidades no meio campo com que nos iremos presumivelmente deparar no jogo contra o Porto, não seria uma boa solução incluir André Gomes na equipa inicial ao lado de Matic, deslocando Enzo Pérez para a esquerda? Neste caso, o sacrificado seria o extremo esquerdo, o que pode não ser uma opção consensual pois quer Nico Gaitán, quer Ola John têm estado ambos em grande forma ultimamente.
No fundo, com esta alteração de jogadores não se estaria a mudar um desenho táctico que tanto sucesso tem tido até agora, continuaríamos com uma dupla atacante, e o meio campo ficaria mais resguardado com o apoio de Enzo. Adicionalmente, as subidas de Danilo estariam mais acauteladas com uma cultura e capacidade defensiva que nem Gaitán nem Ola John possuem.
Por outro lado, André Gomes já provou que tem estofo para jogar jogos exigentes e que tem qualidade para emprestar à equipa quando joga ao lado de Matic.
Obviamente que Jorge Jesus já pensou numa solução para esta questão do meio campo, ainda assim esta é uma opção que acho bastante razoável. Enzo Pérez já mostrou esta época ser uma opção bastante credível para o lado esquerdo do meio campo.

Capas Históricas II


Com o clássico de Domingo a aproximar-se a passos largos, apraz relembrar o Porto - Benfica da época 2003/2004, o último (se não me engano) disputado no velho Estádio das Antas, célebre casebre do guarda Abel e de outras personagens negras do nosso futebol.

O Benfica de Camacho, o da primeira passagem, vai à Imbicta para defrontar o Porto de... José Mourinho, após mais um início trémulo na Liga. Antes deste jogo, referente à quinta jornada, o Benfica tinha um humilde registo de 1 vitória e 2 empates (um jogo em atraso), o que o deixava a 5 pontos do Porto,  que contava já com 3 vitórias (uma delas frente ao Sporting por contundentes 4-1) e um empate na Reboleira. O contexto tornava, assim, o jogo de capital importância para o Glorioso.

Nesse jogo, Camacho não conta com Nuno Gomes e o "soneca" Geovanni, apostando por isso numa dupla menos móvel, composta por Tomo Sokota, que começava aqui a conhecer os cantos à sua futura casa, e o saudoso Miki Feher. No meio-campo, Petit e Tiago formam uma dupla de qualidade que solta os criativos Zahovic e principalmente Simão para lides mais ofensivas. À retaguarda, Ricardo Rocha é o lateral esquerdo que tem como missão vigiar o sempre irrequieto e combativo Derlei. Argel e Luisão formam a dupla de centrais, e Miguel oferece a sua dinâmica ao flanco direito. Moreira é o guarda-redes.

Não obstante a importância reconhecida da partida para o Benfica, a defesa comete dois erros graves, oferecendo de bandeja a vitória ao adversário. Aos 30', Miguel, à data um dos melhores laterais direitos da Europa, amortece de peito na grande área para que Derlei só tenha que escolher o lado. O cenário piora ainda mais aos 52' quando Argel faz um auto-golo, na sequência de um canto do esquerdino Ricardo Fernandes. Mourinho agradece.

O resultado final de 2-0 compromete seriamente as ambições do Benfica, mas muito havia ainda para dizer antes de dar o clássico por terminado. Após a partida, o Benfica queixa-se da arbitragem de Lucílio Baptista, secundado por Devesa Neto (o tal que tem um restaurante na capital do móvel). Dos 5 lances de que o Benfica se queixa, o mais gritante é o que resulta na expulsão, e consequente reação intempestiva, de Ricardo Rocha. Após falta inexistente do mesmo sobre Deco, Lucílio dirige-se ao lateral esquerdo adaptado do Benfica para lhe mostrar o segundo amarelo. Antes que o consiga fazer, Ricardo Rocha apercebe-se que vai ser mandado para os balneários do Abel e antecipa-se, atirando a sua camisola para o chão em sinal de protesto, vendo assim o vermelho direto. Uma reação forte que espelhava a frustração pela quantidade de decisões contestáveis por parte da equipa de arbitragem.

O Benfica de 2003/2004 havia de acabar a Liga num segundo lugar conquistado a ferros em Alvalade, com o célebre golo de Geovanni. Mais importante foi a conquista da Taça de Portugal, 9 anos após a última vitória (sobre o Sporting), ao vencer este mesmo Porto, prestes a tornar-se campeão europeu, num jogo de feliz memória.

Em relação ao clássico que se avizinha,  a capa que ilustra este texto chama a atenção para o que será o trabalho da equipa de arbitragem. Infelizmente, sabemos que este não foi caso único na extensa lista de roubos de igreja de que o Benfica vai sendo alvo, ano após ano, nos confrontos com o rival do norte. Para que a vitória não nos fuja no Domingo, teremos que ser melhores, muito melhores do que o Porto. E, tenho a certeza, seremos!

09/01/2013

Estará Jorge Jesus a preparar a titularidade de André Almeida no clássico?

Num onze completamente rodado hoje, Jorge Jesus optou por lançar Maxi como titular, deixando André Almeida no banco.
Terá o treinador preferido resguardar o jovem português ou ligar os motores do uruguaio que já não tinha jogado no Domingo passado, devido a castigo?
Considerando a segunda hipótese, na minha opinião seria de esperar que Maxi apenas "aquecesse" para o clássico e que fosse substituído para dosear o esforço. No entanto, isso acabou por não acontecer. Talvez porque o jogo foi mais exigente que o esperado e foi preciso lançar Salvio para dar cabo da Académica, em vez de lançar André Almeida para fazer descansar Maxi. Ou então foi mesmo porque Jorge Jesus quis guardar o jovem português, que tem estado a um bom nível, para o clássico.
Na minha opinião, Maxi é Maxi. Em "dia sim" mexe com o jogo e ajuda a sufocar os adversários com o seu pendor (quase exclusivamente) ofensivo. No entanto, o uruguaio esta época tem defendido pouco e mal. Quase nunca está em posição de anular o extremo esquerdo adversário e isso tem-nos causado alguns calafrios em jogos de maior exigência.
Já André Almeida é mais disciplinado tacticamente, sobe bem, mas mais pela certa, e tem mostrado uma boa capacidade de anular o adversário directo no um-para-um.
Tendo em conta que:
I - O único extremo de raiz que o Porto provavelmente lançará na equipa titular jogará pela esquerda (Varela),
II - É provável e preferível que o Benfica não deixe de jogar com dois avançados no Domingo, o que acabará por deixar apenas dois médios-centro (Matic e Enzo) a lutar contra um triângulo formado por Fernando, Moutinho e Lucho, muito provavelmente ajudados por Defour,
Será que Jorge Jesus apostará na contenção de André Almeida em detrimento do pendor ofensivo de Maxi para ajudar a contrariar o mais que provável confronto desigual (2 vs 3/4) no meio campo?
Se assim fosse, em teoria a equipa não ficaria tão sujeita a desiquilibrios como o que permitiu o golo de James no ano passado?
P.S. - Kardec hoje entrou muito bem. Os meus parabéns ao próprio por conseguir manter o profissionalismo e a vontade de ajudar quando é chamado (fez um belo golo e duas assistências de qualidade - pena Ola John ter falhado aquele golo oferecido de mão beijada pelo brasileiro), e também a Jorge Jesus, que continua a rodar a equipa, a dar minutos e motivação a todos os elementos do plantel e a obter os resultados pretendidos.

O meu onze para hoje

Paulo Lopes; Maxi, Luisão, Garay, Luisinho; André Gomes, Bruno César; Ola John, Aimar, Nolito; Lima.

Até vou mais longe:
Enzo por Aimar aos 55';
Carlos Martins por Ola John aos 65';
André Almeida por Maxi aos 70'.

Tudo isto para garantir a passagem às meias finais da nossa taça e dar rodagem a recém-recuperados e menos utilizados.

03/01/2013

Capas Históricas I


1ª jornada da época 2001/2002. O Benfica entra para a nova época cheio de sonhos, vindo de uma temporada para esquecer que havia redundado no malogrado 6º lugar, o pior da sua História. Encabeçando a nova onda de esperança aparece Mantorras, o "novo Pantera Negra", o homem que vem de Alverca para devolver o Benfica à sua Glória, inserido num vendaval de transferências que incluiu nomes sonantes como Zahovic, Drulovic, Julio Cesar, Pesaresi, Cabral, Argel ou Andersson, só para mencionar os reforços utilizados na primeira jornada, em Varzim.

Apesar de entrar a ganhar por 2-0, o Benfica cede um empate a 2 bolas, com Cabral a contibuir com um auto-golo aos 90+4'. Após mais uma (tradicional) entrada em falso no Campeonato, a polémica estala, promovida pelo excesso de violência de que o novo herói da Luz foi alvo por parte do vilão de serviço nessa tarde de 11 de Agosto, Alexandre. Ainda durante o jogo, Mantorras solta em desespero para o seu carcereiro "Bate, que é de borracha!", enquanto que após o apito final do árbitro Isidoro Rodrigues, é o timoneiro Toni quem pede proteção ao seu atleta. Mas é apenas 5 dias após o jogo que se verifica o episódio que ilustra a capa apresentada. Ainda no seguimento do cocktail de faltas e agressões com que Alexandre brindou Mantorras, Simões e Eusébio, os dois históricos Magriços, vêm a terreiro defender o craque do Benfica com a famosa frase "Deixem jogar o Mantorras". Os ícones benfiquistas acusam também o árbitro da partida de proteger o agressor, ao ter demorado 77 minutos a mostrar o amarelo ao central varzinista.

Sobre Mantorras, todos sabemos no que resultaram as constantes agressões e entradas de que foi alvo, tendo contribuído inequivocamente para o final precoce de uma carreira que prometia ser grandiosa. Alexandre, o verdadeiro mentor do também varzinista Bruno Alves, teve direito aos seus 15 minutos de fama, tendo sido depois vetado ao esquecimento que a sua pobre carreira mereceu. Quanto à época do Benfica em 2001/2002, acabou por ser mais uma longa e penosa caminhada rumo ao 4º lugar, no triste jejum que foram os 11 anos entre 1994 e 2005.

Ponto de situação positivo

Embora seja um acérrimo defensor de que Jorge Jesus é o treinador ideal para o Benfica neste momento e, até ver, num futuro a médio prazo, reconheço que o seu trajecto no comando do Benfica até hoje me faz hesitar quando o elogio a ele e à prestação da equipa.
Ainda assim, penso que há um ponto de situação positivo que deve ser feito neste momento. Achei um bom pronúncio a forma como Jorge Jesus rodou a equipa nestes dois últimos jogos.
Bem sei que o plantel se tem vindo a revelar propício a este tipo de rodagem (ontem supostamente jogaram os suplentes e tínhamos em campo Gaitán, Bruno César e Nolito - que se apresentaram os 3 a um nível elevado), bem como o calendário. No entanto, não sei até que ponto a coisa não deve ser vista de outra forma: não será a rodagem que está finalmente a ser (bem) feita que mostra as potencialidades do plantel? Fica no ar a pergunta... A qual só terá uma resposta definitiva no fim da época, e resposta parcelar no fim deste ciclo infernal de Janeiro.
 
Algo que me deixa um pouco reticente foi a fraca exibição diante do Moreirense, mas ontem fizémos questão de mostrar que talvez tenham sido as férias a empenar um pouco os motores. Ainda assim fizémos um resultado que nos deixa "apenas" a precisar de ganhar em casa à Académica para passar à próxima fase. Ou seja, cumprimos. E, por vezes, cumprir basta. Espero pelo jogo contra o Estoril para tirar ilacções mais concretas...
 
Veremos como continuam a correr as coisas neste complicado mês de Janeiro, mas estou confiante que Jorge Jesus tem aprendido com os erros e, no que depender dele, a gestão será bem feita. Depois é preciso sorte com as lesões e a bola entrar!
 
 
Há ainda a questão do mercado estar aberto. Penso que não deveria ser negociada nenhuma saída, pois só assim conseguiremos manter este nível elevado mesmo a rodar a equipa.
Em relação ao meio campo, continuo a defender que se deveria encontrar uma solução de carácter mais defensivo (regresso de Aírton, por exemplo, não seria demasiado dispendioso). No entanto, se para entrar algúem for preciso vender algum activo, prefiro que não haja mexidas.

 
Por fim,
I - O regresso anunciado de Pablo Aimar a 100% faz-me ficar ainda mais confiante! Se já conseguimos atingir um nível elevado sem ele, acredito numa 2ª parte de época ainda melhor!
II - Finalmente parece-me que Cardozo é consensual entre todos os Benfiquistas! Foi preciso fazer 10 golos em 4 jogos para o conseguir, mas finalmente está a ter o reconhecimento merecido por parte de todos sem excepção! Espero que mantenha a cadência!