21/09/2012

Celtic - Benfica

Acho que ganhámos um ponto (e não perdemos 2). Não acho que tenhamos merecido ganhar (mas também não acho que merecêssemos perder).
Descomplicando, acho que para o Spartak será muito difícil ir buscar pontos a este estádio. O Celtic não joga rigorosamente nada, mas conseguem dividir os jogos porque lhes é permitido abusar da componente física. Acho que conseguiram anular bem os nossos ataques porque puderam recorrer às faltas sem fim. Wanyama (bom jogador) e Brown não podiam ter acabado o jogo, tendo em conta o número pornográfico de faltas que fizeram!

Acho que este resultado foi bom não só pelo ponto amealhado, mas também porque era importante não perder para a contestação não aumentar desnecessariamente e haver tempo para trabalhar sem pressão. Acho que fizémos muito boa figura, mostrámos que continuamos bastante competentes mesmo depois das saídas à última da hora.
Em relação ao Enzo fiquei satisfeito por termos encontrado o 8 que faltava. Mais um para ajudar no meio campo, que realmente estava em vias de extinção!
Achei que André Almeida esteve competente e mostrou que pode servir para um ou outro jogo que o Maxi não esteja disponível.
Jardel para mim não foi surpresa. Voltou a mostrar que concentrado dá para contar com ele a um nível elevado!
Garay jogo enorme. Gostei de o ver com a braçadeira!
Melgarejo não defendeu mal, vamos lá ver se continua a evoluir bem.
Gaitán é pena não querer jogar sempre assim com esta vontade, mas também temos mais 3/4 opções para o lugar dele, se ele só quiser jogar na Champions eu não me importo.

Agora, só espero que o Jesus não jogue os próximo dois jogos fora da liga com 4-1-3-2 (Matic; Salvio Aimar Gaitan; Rodrigo Cardozo).
Eu por mim jogava em 4-2-3-1 (Matic Enzo; Salvio Aimar Gaitan; Cardozo), mas como sei que ele vai querer jogar com a dupla de avançados, admito que joguemos em 4-4-2 (Salvio Enzo Matic Gaitan; Rodrigo Cardozo). Resumindo, espero que não se volte a desiquilibrar o meio campo em jogos de alguma dificuldade.

Em relação à equipa B, acho que as coisas estão a ser bem feitas até agora. Conseguimos aliar os bons resultados à boa rodagem de muitos jogadores. Veremos se continua assim. Espero que sim.
Urreta ontem bisou pela equipa B e Sidnei jogou contra o Tondela na 4ª feira. Era bom se os conseguíssemos "recuperar"!
E destaque também para o Ivan Cavaleiro. Até agora tem entusiasmado. Era bom que vingasse a nível sénior e que o conseguíssemos aproveitar no futuro!


P.S. - O 2º golo do Spartak em Camp Nou foi um espectáculo. Destaque para a "massa" que o Rômulo dá ao Messi à entrada da própria área; e passados poucos segundos está na outra área a facturar!

20/09/2012

Nem bom nem mau, antes pelo contrário...

Foi a sensação com que fiquei após o empate de ontem com o Celtic. Nem bom porque claramente temos mais equipa que eles, nem mau porque não podemos contar com três jogadores teoricamente titulares e com  muita experiência, sempre tão necessária nesta Competição. Nem bom porque para além do campo teórico e do potencial individual dos jogadores de cada equipa, fomos de facto superiores (ainda que não de forma avassaladora) no relvado, nem mau porque Witsel já cá não está e no meio da incerteza que era (é!) a sua sucessão, emergiu um Enzo Perez a dizer presente. Adorei o encostar de cabeça ao "ogre" Scott Brown, a defender o colega Matic, sinal de que este ano podemos contar com um dos mais talentosos jogadores a atuar no campeonato argentino nos últimos anos. Nem bom, porque é possível que no final façamos as contas e cheguemos à conclusão que fomos para casa mais cedo porque não conseguimos os 3 pontos em Glasgow, nem mau porque quem entrou para o lugar dos "titulares" indisponíveis esteve a um nível no mínimo razoável, casos de André Almeida e Jardel. Nem bom porque fomos praticamente incapazes de criar claras oportunidades de golo, nem mau porque num terreno tremendamente hostil, onde na Champions só o Barcelona logrou vencer, a equipa mostrou-se coesa, aguerrida e não tremeu, tendo apenas faltado alguém no meio-campo com capacidade física para fazer frente aos tratores do adversário.

Enfim, um empate num terreno onde nunca havíamos pontuado, mas ainda assim a saber a pouco. No fim faremos as contas, à portuguesa. Bom bom foi mesmo a exibição do Garay (enorme) e a boa utilização da Equipa B como fornecedora de alternativas aos "A's", um bom sinal para o futuro, veremos se com continuação...  

18/09/2012

O meu onze para amanhã

Artur; Miguel Vítor, Luisão (Jardel), Garay, Melgarejo; Matic; Salvio, Aimar, Gaitán; Rodrigo, Cardozo.

Não é o que poria a jogar, mas é o que eu acho que vai ser.
Quais os vossos?

O meu Benfica

O ritual de entrada no Velhinho era cumprido em silêncio sepulcral. O cortejo subia pela Rua Soeiro, e estacionava geralmente na João Hogan. Seguia pelas escadas que iam dar à Catedral, ao princípio despida adornos, depois enfeitada com cadeiras que desenhavam os símbolos e nomes dos patrocinadores – Parmalat, Telecel. Quatro grandes torres de betão iluminavam o altar, alimentadas pela Shell.

A minha fé estava lá, sustentada pelas homilias de João Pinto e Preud’homme, pontualmente assistidos por um ou outro acólito que, durante umas épocas ou apenas alguns meses, aparecia para auxiliar à missa – Caniggia, Gamarra, Nuno Gomes, Enke, Van Hooijdonk. Os objectos de culto que mantinham a minha crença apareciam sob formato VHS - Eusébio, um Jogador de todos os Tempos; mensalmente, revestiam suporte de papel, por meio da revista do Clube, que apresentava Totes, Okunowos e Mawetes Juniores como novos profetas de uma instituição religiosa decadente; relíquias eram também as memórias do meu pai, benfiquista de família de sportinguistas, nascido para a Luz pelos golos de Eusébio, raptado para o Terceiro Anel por Coluna, José Águas, Torres.

O meu pai, depois de anos de fanatismo benfiquista que calcorreara o País e a Europa, perdera a fé. Era um agnóstico, que, de vez em quando, me levava a conhecer o templo que lhe fizera a juventude tão feliz. Era, digamos, uma religiosidade não-praticante. Em 1994, antecipou o que iria acontecer. Ainda assisti à última festa que o Gigante de Betão recebeu, a celebração do título à tarde. A partir daí, cada domingo que albergava jogo na Luz era motivo de birras e choradeira – o meu pai recusava-se a levar-me a ir ver aquela equipa moribunda, que usava as mesmas cores e símbolos que Eusébio, Coluna, Humberto, Veloso. Às vezes, o meu pai ia sozinho. Talvez me quisesse poupar, talvez quisesse manter a minha fé cristalizada na cassete do Eusébio e nas tardes de glória que baseavam as histórias que me contava – golos, títulos, jogos fantásticos, viagens. Talvez esperasse que, com tão poucas cerimónias na Luz, eu me desligasse - hipótese menos plausível, mas que me ocorreu algumas vezes.

A verdade é que nunca desconectei a ficha do Benfica. Essa cassete, essas histórias – a revista, entretanto, deixara de ser publicada -, municiavam a minha imaginação, que corria louca à procura de mais um golo, de mais uma jogada, fosse no leitor de vídeo fosse nos recônditos das lembranças do meu pai. “O Chalana era bom, pai?”, perguntava, “O Chalana era 10 vezes o Simão”, “o Bento foi o melhor guarda-redes que vi jogar, um gigante sem medo de nada”, “o Humberto transbordava classe”. Lembro-me de pensar, vezes sem conta, que se o Eusébio tivesse rematado para o outro lado no final do jogo com o Manchester United, em 1968, o Benfica teria sido campeão europeu – um lance que revi até mais não, numa fita já gasta pelos constantes rewinds. Ainda assim, a imagem do Eusébio a felicitar Stepney pela enorme defesa era uma demonstração do que era o Benfica, e do que era a postura que um homem devia manter em momentos decisivos que não correm bem, na certeza de que se fez tudo para ganhar.

Talvez não seja normal, no século XXI, buscar constantemente benfiquismo num estádio que já não existe, numa cassete que fala de coisas de há 50 anos, em histórias que não vivi e em jogadores que não vi jogar. Hoje, pouco me lembra esse Benfica que não conheci na primeira pessoa, mas que conheço como se tivesse festejado os golos de Eusébio, presenciado a galhardia de José Águas, vibrado com as defesas de Bento.

Felizmente há Pablito.